Levar a lei às próprias mãos para punir alguém é um conceito e prática que antecedem os registros mais longínquos de nossa história. Quando vindo de grupos dominantes, o linchamento ou linchagem por anos serviu para oprimir, controlar e punir um setor específico da sociedade. Quando acontecia entre a comunidade, a prática era cometida por uma multidão com o único objetivo de punir com a morte o suposto criminoso ou agressor. O processo tipicamente envolvia acusações criminais, quase sempre duvidosas, e baseadas em deduções do povo, uma prisão preventiva para a montagem de uma multidão de linchadores com a intenção de subverter o processo judicial constitucional e executar a lei com base no povo, pois este era soberano e deveria decidir pela sociedade.
Muito embora o linchamento seja encontrado em várias partes do mundo, os Estados Unidos foram os responsáveis por moldar o ato como o conhecemos hoje em dia. Durante o período de 1877, o início da era da Reconstrução dos Estados Unidos pós-guerra civil, até meados de 1950, a linchagem se tornou um método de controle social e, principalmente, racial, visando aterrorizar os americanos afrodescendentes. Tudo teria se intensificado a partir do momento em que cidades negras surgiram no Sul do país e esses afro-americanos começaram a fazer incursões econômicas, estabelecer negócios e a reivindicar os seus direitos políticos se registrando para votar e concorrendo a cargos públicos.
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